Ilustração artística da Via Láctea com destaque para um grupo de estrelas antigas no disco, sugerindo os restos da galáxia anã Loki, com linhas orbitais mostrando movimento em direções opostas.
Ilustração artística da Via Láctea com destaque para um grupo de estrelas antigas no disco, sugerindo os restos da galáxia anã Loki, com linhas orbitais mostrando movimento em direções opostas.

A descoberta dos restos de Loki oferece um novo capítulo da evolução galáctica, com um contexto útil para um colega que acompanha esse assunto.

Via Láctea devorou galáxia há 10 bi anos Fluxo da história e fatos principais

Cientistas identificaram vestígios de uma antiga galáxia anã que teria sido absorvida pela Via Láctea há cerca de 10 mil milhões de anos. Batizada de Loki, em referência ao deus nórdico da trapaça, a galáxia deixou para trás um grupo de estrelas pobres em metais, cuja composição química e movimento orbital indicam uma origem comum. A descoberta sugere que a Via Láctea passou por uma fusão significativa mais cedo do que se pensava, alterando a compreensão sobre sua evolução inicial.

A equipe liderada por Federico Sestito usou dados do telescópio Gaia e do telescópio Canadá-França-Havaí para analisar 20 estrelas localizadas a cerca de 7 mil anos-luz do sistema solar. Apesar de estarem próximas do disco galáctico — uma região rica em estrelas jovens e poeira —, essas estrelas têm composições semelhantes e idade estimada acima de 10 bilhões de anos. Onze seguem a mesma direção do disco (órbita prógrada) e nove seguem o sentido oposto (retrógrada), um padrão que só seria possível se a fusão ocorresse quando a Via Láctea ainda era pequena.

O evento Loki pode ter sido quase tão transformador quanto a fusão com Gaia-Sausage-Enceladus, há 8 a 10 bilhões de anos, que ajudou a estabilizar o disco galáctico. Ainda que a existência de Loki precise ser confirmada com mais dados, a hipótese abre novas possibilidades para reconstruir a história da nossa galáxia. A busca por estrelas VMP (muito pobres em metais) continua essencial para desvendar essas 'refeições cósmicas' do passado.

Fatos

  • Cientistas identificaram 20 estrelas pobres em metais que podem ser restos da galáxia anã Loki, engolida pela Via Láctea há cerca de 10 bilhões de anos.
  • As estrelas estão localizadas a cerca de 7 mil anos-luz do sistema solar e mostram órbitas prógradas e retrógradas, indicando uma fusão precoce.
  • O nome Loki foi escolhido por Federico Sestito devido à complexidade de interpretar a origem das estrelas, assim como as intenções do deus nórdico.
  • O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e usou dados do telescópio Gaia e do espectrógrafo do telescópio Canadá-França-Havaí.
  • Alexander Ji, da Universidade de Chicago, considera que o evento Loki pode ter sido quase tão transformador quanto a fusão com Gaia-Sausage-Enceladus.

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