Ilustração de pinguins na Antártida com nuvens formando-se acima de uma colónia, representando a transformação do guano em partículas que geram nuvens.
Ilustração de pinguins na Antártida com nuvens formando-se acima de uma colónia, representando a transformação do guano em partículas que geram nuvens.

O guano dos pinguins pode estar a criar um escudo natural de nuvens, um detalhe útil para um colega que acompanha soluções inesperadas contra as alterações climáticas.

Fezes de pinguins criam nuvens que protegem a Antártida Fluxo da história e fatos principais

Um estudo publicado na revista 'Communications Earth & Environment' revela que as fezes de pinguins-de-adélia na Antártida podem estar a ajudar a combater os efeitos das alterações climáticas. O guano dessas aves emite amoníaco, que reage com compostos atmosféricos ricos em enxofre, formando aerossóis. Essas partículas servem como núcleos para a condensação de vapor de água, promovendo a formação de nuvens. Essas nuvens atuam como um escudo ao refletir a radiação solar, reduzindo a temperatura na superfície e, potencialmente, desacelerando o derretimento do gelo marinho.

A investigação, conduzida por uma equipa internacional de 27 cientistas, baseou-se em medições feitas a oito quilómetros de uma colónia de pinguins-de-adélia. Os níveis de amoníaco no ar eram mais de mil vezes superiores quando o vento soprava da direção da colónia. Mesmo após os pinguins abandonarem a área em finais de fevereiro, os níveis permaneciam 100 vezes acima do normal, devido à libertação contínua de gás pelas fezes deixadas para trás.

Os autores concluem que pinguins e outras aves marinhas desempenham um papel-chave na formação de partículas atmosféricas, influenciando localmente o clima. Este mecanismo natural, descrito como 'plantio de nuvens', sugere que a vida selvagem pode ter um impacto climático mais profundo do que se pensava. Ainda não está claro, no entanto, até que ponto este efeito pode compensar as tendências globais de aquecimento.

Fatos

  • O amoníaco das fezes de pinguins-de-adélia reage com gases atmosféricos para formar aerossóis que geram nuvens.
  • Níveis de amoníaco eram mais de mil vezes acima do normal quando o vento soprava da colónia de pinguins.
  • Estudo publicado na revista 'Communications Earth & Environment' envolveu 27 cientistas internacionais.
  • As nuvens formadas podem refletir radiação solar e ajudar a reduzir o aquecimento local na Antártida.
  • Mesmo após os pinguins partirem, os níveis de amoníaco permanecem 100 vezes acima da referência.

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