
Espécies como a mimosa australiana estão entranhadas na paisagem, útil contexto para um amigo que gosta de natureza local.

Espécies invasoras já são 'invisíveis' em Portugal Fluxo da história e fatos principais
Espécies invasoras estão profundamente enraizadas em Portugal, alterando ecossistemas de forma silenciosa e duradoura. Plantas como a mimosa australiana e a erva-das-pampas, ou animais como a vespa-asiática e o lagostim-vermelho-da-Louisiana, foram introduzidos fora do seu habitat natural e agora dominam ambientes locais, deslocando espécies nativas e afetando a qualidade da água, a fertilidade do solo e até a saúde pública.
A investigadora Hélia Marchante destaca que o problema é agravado pela "cegueira vegetal" e pela "amnésia geracional": como essas espécies estão presentes há décadas, muitas pessoas assumem que sempre fizeram parte da paisagem. Isso dificulta ações de controle e erradicação, mesmo quando os impactos são graves, como o aumento da intensidade dos incêndios florestais por causa da biomassa acumulada pelas acácias.
A atividade humana é o principal vetor de propagação, seja por meio do comércio global, uso de plantas ornamentais exóticas ou transporte acidental em roupas e equipamentos. As alterações climáticas também favorecem a expansão dessas espécies, que são mais adaptáveis a condições extremas. A Semana sobre Espécies Invasoras, de 23 a 31 de maio, busca sensibilizar a população com ações de ciência cidadã e voluntariado.
Especialistas alertam que o melhor momento para agir foi no passado, mas o segundo melhor é agora. A perda de biodiversidade não é um problema distante: afeta diretamente a produção de alimentos, a qualidade da água e a resiliência dos ecossistemas frente a desastres naturais.
Fatos
- A mimosa, originária da Austrália, é uma das espécies invasoras mais agressivas em Portugal.
- Acácias aumentam o risco de incêndios florestais por acumularem grande biomassa.
- A erva-das-pampas está associada ao agravamento de alergias respiratórias.
- A Semana sobre Espécies Invasoras ocorre de 23 a 31 de maio em Portugal e Espanha.
- Hélia Marchante destaca que 'o ser humano é o motor absoluto' da propagação destas espécies.
- Alterações climáticas favorecem espécies invasoras mais resistentes e adaptáveis.
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