Ilustração de uma grelha com bifes, ao fundo símbolos científicos sendo distorcidos por redes sociais, com ícones de alerta de saúde.
Ilustração de uma grelha com bifes, ao fundo símbolos científicos sendo distorcidos por redes sociais, com ícones de alerta de saúde.

O risco aumenta 17% ao ultrapassar 100g por dia, um dado útil para um amigo que acompanha saúde e alimentação.

Desinformação usa 'ciência' para negar risco de cancro da carne vermelha Fluxo da história e fatos principais

Um movimento organizado de desinformação está a usar redes sociais para negar os riscos do consumo excessivo de carne vermelha, especialmente o risco de cancro colorretal. Através de vídeos, podcasts e perfis com grande alcance, influenciadores da chamada 'medicina integrativa' simulam debates científicos, citam estudos fora de contexto e deturpam a linguagem da ciência, como a classificação da OMS de 'provavelmente cancerígena'. Apesar disso, a evidência científica é robusta: metanálises com milhões de participantes mostram aumento de risco cardiovascular, diabetes tipo 2 e cancro colorretal associado ao consumo diário acima de 100 gramas.

Especialistas como Pedro Graça, da Universidade do Porto, e Carlos Bello, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, explicam que as diretrizes nutricionais se baseiam em múltiplas camadas de evidência — desde estudos observacionais até mecanismos biológicos. O ferro heme na carne vermelha, por exemplo, favorece a formação de compostos carcinogénicos no intestino. Já a carne processada, com apenas 50g por dia, aumenta o risco de cancro colorretal em 18%.

O problema é que a dúvida, uma vez semeada, é difícil de desfazer. Influenciadores como Fernanda Anders e Diana Pessoa — esta mesmo registada como oncologista — usam credenciais para desacreditar consensos científicos, chegando a aparecer em reportagens televisivas como fontes legítimas. Para cientistas como Carlos Fiolhais, este fenómeno revela uma tática conhecida: exigir certezas absolutas à ciência para depois desacreditá-la quando estas não existem. A ciência, lembra ele, lida com probabilidades — e as probabilidades atuais são claras.

Fatos

  • O consumo diário de mais de 100g de carne vermelha aumenta em 17% o risco de cancro colorretal, segundo Pedro Graça.
  • A carne processada aumenta o risco de cancro colorretal em 18% com apenas 50g por dia.
  • A OMS classificou a carne vermelha como 'provavelmente cancerígena' em 2015, com base em 800 estudos analisados por 22 especialistas.
  • Metanálises recentes, incluindo mais de 4,4 milhões de pessoas, confirmam o risco cardiovascular e de diabetes tipo 2 associado ao consumo excessivo.
  • Influenciadores como Fernanda Anders e Diana Pessoa usam credenciais para desacreditar consensos científicos em vídeos com centenas de milhares de visualizações.
  • Estudos observacionais, apesar de limitações, são o método mais adequado para estudar hábitos alimentares a longo prazo, segundo especialistas.

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