Ilustração de uma cientista brasileira em um observatório no deserto do Atacama, no Chile, com telescópios ao fundo e céu estrelado, destacando a altitude extrema e o ambiente inóspito onde se busca a radiação cósmica de fundo.
Ilustração de uma cientista brasileira em um observatório no deserto do Atacama, no Chile, com telescópios ao fundo e céu estrelado, destacando a altitude extrema e o ambiente inóspito onde se busca a radiação cósmica de fundo.

A busca pela luz mais antiga do cosmos exige engenharia e resistência extrema, um contexto valioso para um colega que acompanha ciência de fronteira.

Buscando o início de tudo no deserto mais seco do mundo Fluxo da história e fatos principais

No deserto do Atacama, no Chile, um projeto científico internacional busca respostas sobre a origem do Universo. Liderado em parte pela astrofísica brasileira Julliana Denes, o projeto CLASS (Levantamento Cosmológico em Grande Escala Angular) opera telescópios a 5.200 metros de altitude para observar a Radiação Cósmica de Fundo — a luz mais antiga detectável, emitida cerca de 380 mil anos após o Big Bang. A missão, financiada pela National Science Foundation e ligada à Universidade Johns Hopkins, mede variações de temperatura e polarização dessa radiação para investigar eventos primordiais, como a inflação cósmica e o amanhecer cósmico, quando as primeiras estrelas começaram a brilhar.

O local escolhido não é por acaso: o Atacama é um dos lugares mais secos e elevados da Terra, com céu limpo e pouca interferência atmosférica — condições ideais para observações em micro-ondas. Mesmo assim, o ambiente extremo representa um desafio constante. Temperaturas que chegam a -45°C, ventos acima de 100 km/h e pressão atmosférica reduzida exigem soluções de engenharia robustas e trabalho braçal contínuo. A cientista brasileira descreve o dia a dia como uma combinação de astrofísica, logística e criatividade em condições adversas.

Apesar de o Brasil não possuir grandes observatórios próprios, cientistas do país participam ativamente de projetos internacionais como este. Em 2025, o CLASS publicou seu resultado mais significativo até agora: a medição terrestre mais precisa da profundidade óptica da reionização, um parâmetro que ajuda a datar o período em que as primeiras estrelas se formaram. O projeto continua coletando dados para desvendar os primeiros instantes do Universo, com implicações profundas para a cosmologia moderna.

Fatos

  • A astrofísica brasileira Julliana Denes, 38, é gerente do projeto CLASS no deserto do Atacama, no Chile.
  • O projeto CLASS investiga a Radiação Cósmica de Fundo, luz emitida cerca de 380 mil anos após o Big Bang, para entender a origem do Universo.
  • Os telescópios operam a 5.200 metros de altitude, onde a pressão atmosférica é metade da do nível do mar e temperaturas chegam a -45°C.
  • Em 2025, o CLASS publicou a medição terrestre mais precisa da profundidade óptica da reionização, ajudando a datar o 'amanhecer cósmico'.
  • O projeto é financiado pela National Science Foundation e ligado à Universidade Johns Hopkins, nos EUA.
  • O Brasil não tem grandes observatórios, mas cientistas brasileiros participam ativamente de projetos internacionais como o CLASS.

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