
Um lapso de fala no espaço pode esconder riscos maiores, especialmente útil para um colega que acompanha os limites do corpo humano fora da Terra.

Astronauta perdeu fala no espaço Fluxo da história e fatos principais
Um episódio inédito na Estação Espacial Internacional (ISS) colocou em alerta os planos da NASA para missões de longa duração. Em janeiro de 2026, o astronauta veterano Mike Fincke perdeu temporariamente a fala durante uma refeição, oito dias antes de uma caminhada espacial planeada. O incidente, que durou cerca de 20 minutos, foi o primeiro a justificar o regresso antecipado de uma tripulação por motivos médicos. A NASA encurtou a missão SpaceX Crew-11, trazendo Fincke e três colegas à Terra um mês antes do previsto, deixando a ISS com apenas três tripulantes. A agência não revelou o diagnóstico exato, mas Fincke mencionou que os sintomas estavam ligados ao ambiente espacial, possivelmente por alterações na circulação sanguínea.
A ausência de gravidade afeta profundamente o corpo humano: o sangue e outros fluidos deslocam-se para a cabeça, podendo causar inchaço cerebral, problemas neurológicos e até coágulos. Um estudo com 11 astronautas saudáveis mostrou que seis tinham alterações no fluxo sanguíneo cerebral, um teve coágulo e outro, coágulo parcial. Especialistas apontam que episódios como ataque isquémico transitório (AIT) podem explicar a perda temporária de fala. A tripulação da ISS usou ultrassons para avaliar Fincke, com apoio do controle na Terra. Apesar da resposta eficaz, o caso levanta questões para missões mais longe, como a Artemis II e futuras viagens a Marte, onde os atrasos nas comunicações dificultam o apoio médico em tempo real.
A NASA já estuda formas de prevenir riscos, como o uso de 'chips de órgãos' a bordo do Artemis II — amostras de medula óssea para monitorizar efeitos da radiação e microgravidade. A meta é personalizar cuidados médicos antes do lançamento. Ainda assim, especialistas como o professor Farhan Asrar, da Universidade de Toronto, alertam que o espaço profundo traz desafios únicos: radiação mais penetrante, descondicionamento cardiovascular, perda óssea e atrofia muscular. A presença de médicos na tripulação pode ser crucial, embora o administrador da NASA, Jared Isaacman, diga que nem sempre mudaria o desfecho. O foco agora é 'saber antes de partir' — garantir que os astronautas voltem saudáveis, mesmo após anos fora da Terra.
Fatos
- Mike Fincke perdeu temporariamente a fala em janeiro de 2026 durante a missão SpaceX Crew-11 na Estação Espacial Internacional.
- A NASA encurtou a missão, trazendo a tripulação de volta um mês antes do previsto — o primeiro regresso antecipado por motivo médico na história da ISS.
- Fincke não tinha diagnóstico formal, mas indicou que os sintomas estavam ligados ao ambiente espacial, possivelmente por deslocamento de fluidos corporais.
- Um estudo com 11 astronautas saudáveis revelou que seis tinham alterações no fluxo sanguíneo cerebral, um com coágulo total e outro com coágulo parcial.
- A NASA armazenou 'chips de órgãos' a bordo do Artemis II para estudar efeitos da radiação e microgravidade em astronautas.
- O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que ter médicos a bordo será uma mais-valia em futuras missões a Marte.
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