
A capacidade das abelhas de aprender por tentativa e erro com inspiração súbita é um detalhe fascinante, especialmente para um colega que acompanha avanços em biologia cognitiva.

Abelhas pensam mais do que se imagina Fluxo da história e fatos principais
Pesquisas recentes revelam que as abelhas possuem habilidades cognitivas muito além do instinto, desafiando a antiga ideia de que agem apenas por programação genética. Em experimentos laboratoriais, abelhas aprenderam a puxar fios, mover bolas para alcançar recompensas e até transmitir essas habilidades a outras da colmeia, demonstrando aprendizado social. Essas tarefas, que nunca encontrariam na natureza, exigem planejamento, memória espacial e reconhecimento de causa e efeito.
Cientistas como Lars Chittka, da Universidade Queen Mary de Londres, mostraram que abelhas conseguem resolver problemas por insight — momentos súbitos de compreensão — e não apenas por tentativa e erro. Em um teste na Universidade de Oulu, na Finlândia, abelhões moveram uma bola para debaixo de uma flor artificial e usaram-na como plataforma, sem treino prévio. Esse comportamento sugere uma forma de cognição complexa antes considerada exclusiva de vertebrados.
Além disso, estudos indicam que abelhas podem ser sencientes: após simularem ataques de predadores robóticos, passaram a agir com cautela, como em estado de estresse pós-traumático. Quando surpreendidas com recompensas, mostraram comportamento mais otimista. Isso reforça a ideia de que sentem emoções básicas. Apesar do cérebro minúsculo, sua capacidade de adaptação é crucial para a sobrevivência em ambientes em mudança.
Enquanto abelhas comerciais morrem em massa por causa de pesticidas e parasitas, criadores como Melanie Kirby desenvolvem colônias resilientes sem uso de químicos, baseadas na seleção natural. Seu projeto LongeviBEES mostra que, quando deixadas livres, as abelhas podem evoluir sozinhas. A inteligência delas não é só fascinante — pode ser a chave para sua conservação.
Ainda há muito a descobrir, especialmente entre as dezenas de milhares de espécies silvestres pouco estudadas. Mas uma coisa é clara: entender como as abelhas pensam pode ajudar não só na polinização agrícola, mas também em esforços para proteger plantas ameaçadas e repensar nosso impacto ambiental.
Fatos
- Abelhas conseguiram mover uma bola para debaixo de uma flor artificial e usá-la como plataforma para obter néctar, sem treino prévio, em experimento na Universidade de Oulu (Finlândia) em 2025.
- Estudos liderados por Lars Chittka mostraram que abelhas aprendem por observação e transmitem comportamentos complexos, como puxar fios para obter recompensas.
- Abelhas expostas a predadores robóticos exibiram comportamentos semelhantes ao estresse pós-traumático, enquanto recompensas inesperadas as tornaram mais otimistas.
- Melanie Kirby desenvolve colônias resilientes chamadas LongeviBEES no Novo México, sem uso de químicos, com base na seleção natural de abelhas que sobrevivem sozinhas.
- Em abril de 2025, apicultores americanos relataram 55% de perda de colônias, as piores perdas já registradas, enquanto as colônias de Kirby prosperam.
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