
Uma estrutura subterrânea maior que qualquer caverna terrestre, contexto útil para um colega que acompanha exploração espacial.

Descoberta caverna vulcânica em Vênus Fluxo da história e fatos principais
Cientistas da Universidade de Trento, na Itália, confirmaram pela primeira vez a existência de uma enorme caverna vulcânica em Vênus, graças à reanálise de dados de radar da missão Magellan da NASA, coletados entre 1990 e 1994. A estrutura, localizada na encosta ocidental do vulcão escudo Nyx Mons, é um tubo de lava com largura média estimada em 937 metros e altura interna de pelo menos 375 metros — dimensões inéditas em comparação com os maiores tubos terrestres. A descoberta foi possível graças a uma nova técnica de análise desenvolvida pela equipe do professor Lorenzo Bruzzone, que identificou um colapso na superfície, chamado de 'skylight', com 1.545 por 1.070 metros, indicando a presença de um túnel subterrâneo. A partir da abertura, o sinal de radar penetrou cerca de 300 metros, e a cadeia de depressões sugere que o sistema completo se estende por pelo menos 45 quilômetros sob o vulcão.
Tubos de lava se formam quando fluxos de lava desenvolvem uma crosta solidificada na superfície, enquanto o interior continua escoando. Ao final da erupção, o canal esvazia, deixando um túnel oco. Na Terra e na Lua, essas estruturas são conhecidas, mas em Vênus, sua existência era apenas hipotética até agora. As condições únicas do planeta — gravidade menor e atmosfera densa — podem ter favorecido a formação de tubos excepcionalmente grandes, com tetos de até 150 metros de espessura. O maior tubo de lava conhecido na Terra, em Lanzarote, na Espanha, tem cerca de 28 metros de largura, destacando a escala incomum da estrutura venusiana.
A descoberta tem implicações diretas para futuras missões espaciais, como a VERITAS da NASA e a EnVision da Agência Espacial Europeia, ambas previstas para lançamento até 2031. Essas missões levarão radares de alta resolução capazes de mapear estruturas subsuperficiais com muito mais detalhe, potencialmente revelando centenas de outros tubos. Além disso, cavernas como essa podem oferecer ambientes protegidos das condições extremas da superfície de Vênus — com temperaturas de 465°C e pressão de 90 atmosferas — o que reacende o interesse científico no planeta como destino de exploração. A presença de um tubo de lava tão grande em Nyx Mons indica que o vulcão passou por erupções prolongadas e de alto volume, colocando-o entre as estruturas geologicamente mais ativas de Vênus.
Fatos
- Em fevereiro de 2026, pesquisadores da Universidade de Trento confirmaram a existência de um tubo de lava em Vênus usando dados reanalisados da sonda Magellan.
- A caverna tem largura média de 937 metros, altura interna de pelo menos 375 metros e extensão mínima de 45 km sob o vulcão Nyx Mons.
- O colapso na superfície (skylight) mede 1.545 por 1.070 metros e foi detectado por radar sintético da Magellan, operada entre 1990 e 1994.
- A missão VERITAS (NASA) e EnVision (ESA), ambas previstas para lançamento até 2031, terão como objetivo mapear estruturas subsuperficiais como essa com maior resolução.
- A descoberta sugere que Vênus pode abrigar um sistema de cavernas subterrâneas em escala sem precedentes no sistema solar interno.
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