Ilustração de um jovem com expressão fechada, braços cruzados, ao centro de uma paisagem urbana com sombras de figuras que representam pressões sociais como força, silêncio emocional e controle.
Ilustração de um jovem com expressão fechada, braços cruzados, ao centro de uma paisagem urbana com sombras de figuras que representam pressões sociais como força, silêncio emocional e controle.

A forma como os rapazes são socializados influencia comportamentos de risco, um contexto útil para um colega que trabalha com juventude.

Rapazes com visão tradicional de masculinidade têm mais tendência para delinquência Fluxo da história e fatos principais

Um estudo conduzido por investigadores do ISPA - Instituto Universitário analisou 231 rapazes entre os 18 e os 19 anos para entender os fatores associados à delinquência juvenil. Os resultados indicam que a conformidade com normas tradicionais de masculinidade — como esconder emoções, evitar pedir ajuda ou valorizar a força física — tem um poder preditivo semelhante ao das experiências de adversidade na infância. Juntas, estas duas variáveis explicam 19,4% da variação em comportamentos delinquentes, como furto, destruição de propriedade ou porte de arma.

O estudo, intitulado Behind The Masc, destaca que estas normas não são naturais, mas aprendidas desde cedo, e que a sua influência precisa ser considerada em políticas de prevenção. Apesar de baseado em auto-relato e de natureza transversal, o trabalho reforça a importância de integrar a análise de género no debate sobre juventude e desvio social.

Curiosamente, metade dos participantes relatou alguma atracção por pessoas do mesmo sexo, um dado que o investigador Afonso Borja-Santos considera sinal de uma masculinidade em transformação. O artigo foi publicado na revista Criminology & Criminal Justice, da British Society of Criminology, reforçando o peso científico do achado.

Fatos

  • Um estudo com 231 rapazes de 18 e 19 anos do ISPA associa visões tradicionais de masculinidade a comportamentos de delinquência.
  • A conformidade com normas masculinas tradicionais tem poder preditivo semelhante ao das experiências de adversidade na infância para prever delinquência.
  • Juntas, essas variáveis explicam 19,4% da variação em comportamentos delinquentes como furto, destruição de propriedade ou porte de arma.
  • Metade dos participantes relatou alguma atracção por pessoas do mesmo sexo, indicando maior flexibilidade na identidade sexual.
  • O estudo é transversal e baseado em auto-relato, não permitindo conclusões de causa e efeito, mas reforça a importância de integrar género na prevenção.

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