
A reinvenção de línguas indígenas por meio de dicionários digitais é um passo concreto, com contexto útil para um colega que acompanha justiça linguística e inovação social.

Línguas indígenas ganham vida digital Fluxo da história e fatos principais
A Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), declarada pela ONU, impulsionou iniciativas globais de revitalização linguística, com destaque para projetos no Brasil. Apesar de haver entre 150 e 170 línguas indígenas ainda faladas no país, muitas estão em risco, com poucas crianças aprendendo a língua ancestral. A perda dessas línguas representa não apenas um colapso cultural, mas também a extinção de saberes tradicionais, especialmente em medicina e ecologia. Estudos mostram que mais de 75% dos serviços ligados a plantas medicinais estão vinculados a uma única língua, o que torna a preservação linguística tão crítica quanto a da biodiversidade.
No Brasil, o Museu Paraense Emílio Goeldi, em parceria com comunidades indígenas e a University of New Mexico, desenvolveu os Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas. Sete dicionários bilíngues já estão disponíveis digitalmente, com áudio, vídeo e imagens, cobrindo línguas como Kanoé, Oro Win e Puruborá. Outros quatro estão em fase final para Makurap, Djeoromitxi, Wayoro e Kuyubim. A tecnologia open source permite uso offline, acessível mesmo em áreas remotas.
Esses dicionários são uma tecnologia social inovadora: criados com e pelas comunidades, funcionam como ferramentas de ensino e fortalecimento identitário. Em aldeias com poucos falantes fluentes, eles são a primeira ponte para o contato com a língua tradicional. A participação indígena é central — desde o planejamento até a validação final. O Portal Japiim, do Museu Nacional dos Povos Indígenas, oferece outro modelo similar, ampliando o alcance dessas iniciativas. O esforço conjunto entre ciência e comunidades representa um novo paradigma na documentação linguística.
Fatos
- A ONU declarou o período de 2022 a 2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas.
- Mais de 75% dos saberes sobre plantas medicinais estão vinculados a uma única língua indígena.
- O Brasil tem entre 150 e 170 línguas indígenas ainda faladas, com dois terços na Amazônia.
- Sete dicionários multimídia bilíngues já estão disponíveis, com áudio, vídeo e imagens, em parceria entre o MPEG e comunidades.
- Os dicionários usam tecnologia open source e funcionam sem internet, acessíveis em smartphones e tablets.
- Dona Margarida Macurap, da aldeia Ricardo Franco, destacou que o dicionário permitirá que seus filhos, netos e bisnetos aprendam a língua macurap.
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